Hoffnung
um blog terapêutico
Reflexão 2010
Recomeçar a tarefa de procurar um novo ofício que seja mais adequado não parece ser tão fácil. Principalmente quando envolve se dar conta de que não será necessariamente um recomeço, mas um processo que já se desdobra desde muito tempo.

Também não é nada impossível quando se começa a encarar de frente alguns freios internos que frequentemente atrapalham movimentos mais ousados em direção a um objetivo e acusam sonhos como sendo utópicas fantasias.

É um fato incontestável: encarar de forma construtiva e sem abalos a realidade com todos os seus reveses, todas as suas reviravoltas e complexidades que escapam nossa análise, é um enorme desafio.
Justiça
Eu tenho por hábito me informar sobre o que está acontecendo no mundo acompanhando as notícias pelos sites dos grandes jornais. Tem sido uma forma econômica e prática diante da falta de tempo e dinheiro para justificar a assinatura de um impresso.

Uma ou outra notícia é agradável, as demais são lamentáveis (os fatos, não a reportagem) e em todos os casos os comentários dos leitores costumam ser extremamente irritantes. Mas não consigo deixar de acompanhar diariamente os acontecimentos e observar o comportamento ou os comentários de outros leitores. Sou uma pessoa faminta de informação atual e de opiniões.

Mas na última semana, acessar os sites de notícia foi um teste de paciência por conta da cobertura excessiva da mídia sobre o julgamento do casal Nardoni. Pior do que isso, transformaram num circo.

Não questiono a importância do caso tendo em vista a seriedade do crime tampouco do veredicto final dos acusados. Mas incomodou-me a pressão popular - do lado de fora do tribunal - por justiça que mais se assemelhava a uma ameaça de linchamento. Aliás, o veredicto já tinha sido determinado muito antes do julgamento, não é mesmo? Não posso deixar de concordar com um familiar meu ao afirmar o quanto o júri foi influenciado pela cobrança da sociedade para culpar os acusados, uma vez que o veredicto contrário poderia resultar em uma explosão de violência e revolta nas ruas.

Muitos podem estranhar a minha reprovação com a mobilização quase maciça da sociedade durante o julgamento e sua posterior comemoração com direito a queima de fogos. Acho compreensível, afinal, tratou-se de um crime bárbaro e o processo levou dois anos para resultar em audiência. O fato é que o caso possui algumas particularidades que mascaram a deturpação da justiça provocada pelo excesso de comoção. Embora a reação da sociedade pareça justificada no caso dos Nardoni, ela não pode ser generalizada. Fica então a questão: na hipótese de um outro crime onde os acusados fossem inocentes, a pressão da sociedade teria sido diferente?

É por este simples motivo que cada cidadão deve saber discernir a linha tênue entre o senso de justiça e a sede de vingança, ao invés de se render aos apelos sedutores da turba enfurecida.

E antes que algum opositor queira contraargumentar que só quem sofre a violência na pele pode entender a busca por justiça ou me acusar de ser defensor de bandidos (como já aconteceu uma vez, há muito tempo, numa discussão sobre pena de morte), vou resumir por partes a inconsistência dessa posição:

1 - Sofrer a violência na pele não torna ninguém mais qualificado para determinar punições, muito pelo contrário: o sofrimento da vítima afeta o discernimento e a justiça só pode ser alcançada com a apuração impessoal dos fatos, não com sentimentos pessoais que podem exagerar a gravidade da situação. Quem não concordar com isto que reclame com os juristas.
2 - Instituir punições imediatas e arbitrárias como prática legítima de se fazer justiça não só é puro egoísmo como também é irracional e irrefletido. O sistema judicial não é imune a falhas e informações cruciais podem ser aumentadas ou distorcidas. Hoje podemos estar punindo verdadeiros culpados, mas amanhã estaremos enforcando prováveis inocentes. A corrupção agradece.
Abusos
Há quem diga que o debate consiste num processo colaborativo de busca de consenso, mas na prática esse conceito parece passar bem longe da cabeça de seus participantes pelo mundo afora.

Tem sido um pouco difícil para mim acompanhar as discussões nos fóruns de internet. Aonde quer que eu vá, a tônica principal costuma ser a opção pelo conflito, não importa de que lado. Prevalece a agressão ao invés do respeito. Qualidades como autocrítica, imparcialidade e noção sobre falácias são irreconhecíveis para a grande maioria do público.

As pessoas não se prestam a ouvir mas só querem ser ouvidas. Os fóruns se tornaram em arenas de gladiadores para que seus duelistas exponham suas vaidades e seus egos inflados. Provocações, acusações infundadas e comentários cínicos e debochados são suas armas mais frequentes.

É claro que existem exceções, mas os exemplos são muito poucos. Sensibilidade, compaixão, bom senso e tolerância deveriam ser a principal receita de quem se presta a contribuir com um fórum, no entanto, esses breves episódios de sensatez quando surgem, são frequentemente atropelados pelas inundações ininterruptas de ignorância.

Infelizmente, não podemos mudar os outros nesse aspecto, mas podemos mudar a nós mesmos ou nos preservarmos. A triste ironia dos debates contemporâneos é que no momento de atacar as idéias, atacam-se as pessoas e quando se deve defender as pessoas, defendem-se as idéias. É imperativo diante disso, sermos conscientes e manter a vigilância.
Testemunho Solitário
Lembro-me que há muito tempo atrás testemunhei um evento bastante incomum. Vi um rastro de fogo no céu que pelo seu comprimento, sua distância e sua altitude, não deixava dúvidas de que se tratava de um objeto enorme entrando na atmosfera da Terra.

Na ocasião eu era estudante do último período de engenharia e estagiava no laboratório da faculdade. Havia saído para a lanchonete do posto de gasolina ao lado de fora da instituição para fazer um pequeno lanche quando me deparei com a estranha cena. Aquilo me deixou tão fascinado e intrigado que fiquei vários minutos imóvel em frente ao posto de gasolina contemplando aquele acontecimento. Era final da tarde, próximo ao horário do rush, e nenhuma das pessoas ao redor parecia se importar com o longo rastro iluminado que riscava os céus. Todas seguiam com suas vidas apressadas e ocupadas como se nada de incomum ocorresse.

Não fazia a menor idéia do que poderia ser mas por ser um evento notável, fiquei na expectativa de obter respostas acompanhando as últimas notícias da imprensa. Pelo que me recordo, não encontrei nada que mencionasse aquele acontecimento em particular nos dias que se seguiram. O único fato correlato àquele evento testemunhado foi o noticiamento (naquele mesmo ano) da queda da antiga estação espacial russa MIR.

Passados estes anos todos e após ter comentado com diversas pessoas sem sucesso em encontrar outra testemunha semelhante, fiz uma nova pesquisa mas sem me preocupar em encontrar respostas prontas: decidi fazer minha própria investigação. Consultei dados sobre a data e a localização da queda da estação MIR (23 de março de 2001, Sudoeste do Oceano Pacífico) e chequei no Google Earth a direção do campo de visão no meu ponto de observação (posto de gasolina, olhando para o sudoeste). A direção coincide com o local da queda da estação, mas o horário de sua reentrada na amosfera não combina muito, pois o fato foi observado no final da tarde e os registros indicam reentrada às 21:32 (GMT-3). Tudo leva a crer que, provavelmente, aquele fenômeno estranho era a própria estação MIR caindo na Terra.

Até hoje, a lembrança do evento me fascina e me deixa intrigado quanto à indiferença dos transeuntes. É um pouco frustrante entusiasmar-se com eventos dignos de nota e não poder compartilhar desta vivência com os outros, mesmo se tratando de coisas tão simples como olhar para o céu.
Escolhas do Passado
Lendo um post do meu amigo Andarilho no blog Palavras no Caminho sobre as mudanças que fazem diferença em nossas vidas, me identifiquei um pouco com o que ele escreveu e redigi um comentário que transcrevo a seguir para partilhar com meus leitores:

“[...] É verdade, às vezes surge uma insegurança diante de oportunidades de mudança, mas há momentos que estes movimentos para frente são inevitáveis, eles acontecem em nossas vidas porque têm que acontecer. Nessas horas acho que o melhor a fazer é entregar-se e confiar, a gente acaba aprendendo que é capaz de fazer coisas que nunca imaginávamos. Também passei por tremendas mudanças no último ano: consegui meu próprio apartamento, casei, sobrevivi a um projeto final de pós-graduação... tudo ao mesmo tempo. Antes eu duvidava que fosse dar certo, achava que eu tinha enloquecido de assumir tantos compromissos. Hoje, passado isso tudo, percebo que sou plenamente capaz de vencer obstáculos e esse é um sentimento que nunca devemos esquecer diante de novas oportunidades de mudança.”
Rod Ran

Aqui, eu completo dizendo que o sentimento de conquista também pode provocar armadilhas se nos mostrarmos predispostos a estas últimas. No meu caso, algumas das mudanças de minha vida que ocorreram nos últimos tempos correspondem a metas que pretendia ter alcançado há anos atrás. Com isso, surgiram ultimamente, lamentações sobre o que deixei de fazer no passado: como gostaria de ter tido a iniciativa que hoje tenho de sobra; quem dera ter aproveitado mais o tempo livre para adquirir novas experiências; se procurasse ser mais assertivo ao invés de dar tantos ouvidos ao que considerava como fracassos de então, poderia já ter conquistado o que só estou vivenciando agora, etc..

Uma coisa que atualmente aprendi em minhas conversas terapêuticas é que as escolhas que fazemos num determinado momento são frutos de nossa capacidade de adaptação às circunstâncias. Se posteriormente, estas escolhas podem parecer inoportunas ou ser percebidas como estagnação ou frenagem, devemos considerar que as mesmas foram movimentos que adotamos no passado justamente para a nossa proteção ou como processo de cura.

Em algum ponto de nossas vidas, podemos ter nos retraído, evitado experiências por insegurança e, por conseqüência, adiado importantes eventos. Mas o fato de estarmos conquistando só agora algo tão desejado outrora não quer dizer que o passado constituiu-se de tempo desperdiçado. É que naquela época, a introspecção foi a solução que nossa criatividade nos apresentou para tratar um sentimento dominante que nos incomodava.

Em se tratando de escolhas momentâneas não existe melhor ou pior, certo ou errado (a menos que você tenha feito coisas horríveis). O que há são situações que se apresentam sob diferentes contextos que nos levam a tomar diferentes decisões com diferentes conseqüências imediatas, mas o intuito é sempre de nos trazer paz de espírito.
O poder da escrita
Foi-se o tempo em que os blogs ocupavam lugar de destaque entre as coqueluches do momento. Depois do avanço das redes sociais e do Twitter, é inegável que a supracitada ferramenta de publicação vem sendo deixada de lado por muitos internautas.

Por outro lado, pode-se dizer que foi justamente a vulgarização dos blogs que começou a contribuir para o seu declínio. O Orkut, Facebook e o Twitter apenas desferiram o golpe final. O que antes era um recurso reservado para alguns poucos autores que tinham muito o que falar ou divulgar, em um segundo momento começou a atrair uma multidão de leitores ávidos por publicar seu próprio conteúdo. Porém, essa popularização também trouxe aqueles que usariam a ferramenta apenas para reafirmar seu status ou identidade (em sua maioria adolescentes, salvo algumas exceções para eles) sem se preocupar com o conteúdo. E a partir daí, os blogs ficaram estimagtizados como sinônimo de falta de conteúdo.

Agora talvez seja um bom momento para voltar a investir na leitura (e escrita) dos blogs. As redes sociais e o Twitter estão atraindo os blogueiros não tão preocupados em dissertar porque tudo que queriam era dispor de uma ferramenta de comunicação rápida entre pessoas que só os blogs ofereciam. Com esta mudança de ares, ficam nos blogs aqueles realmente dispostos a publicar seus pensamentos, opiniões e reflexões.

Alguns podem retrucar que o êxodo da blogosfera resultará em isolamento para a minoria que decidir permanecer. Pode até ser que o ambiente se torne solitário para muitos, como eu, mas quem pensa somente assim não faz idéia do quão gratificante é escrever. Poder voltar aqui e reler o que foi produzido há anos é muito estimulante e prazeiroso mesmo para o autor. Um blog feito com carinho é um reflexo da mente e do coração do autor ao longo do tempo e poder sempre entrar em contato com isso é poder reviver a vocação que imaginamos ter deixado para trás... mas que nunca se esqueceu da gente.
Raiva
Sentir raiva é um experiência profundamente irracional da qual ninguém está imune. É talvez o traço mais vísivel de nossos instintos, que pode emergir dependendo de nosso estado de espírito ou da tolerância aos estímulos ao redor que nos incomodam.

Na conhecida obra de Daniel Goleman, Inteligência Emocional, afirma-se que a atuação da neuroquímica da raiva no cérebro possui um efeito viciante. Daí a dificuldade em lutar-se contra ela quando os pensamentos frequentemente se orientam na direção do estímulo da raiva, num processo de realimentação espontâneo e muitas vezes imprevisível.

Por outro lado, a irritação é um fenômeno muito natural e presente em todos os animais. Seria preciso imaginar uma consciência muito equilibrada e paciente para resistir à expressão de um sentimento tão primitivo. Afinal, é impossível deixar de sentí-lo, só podemos controlá-lo. E como podemos ser equilibrados quando estamos inseridos numa realidade agitada e inquietante que nos agride e testa diariamente nossos limites nas mais diversas formas?

Um remédio para isso consiste em aplicar o famoso princípio da válvula de escape. Transformar as pressões interiores da raiva em algum movimento exterior aliviante, seja pela encenação verbal de um desabafo, seja pela prática de esportes dinâmicos ou de luta, entre outros. O desafio, porém, consiste em fazer deste exercício uma atividade construtiva, de modo a obter os resultados positivos esperados sem causar prejuízos ao meio e aos seres que nos cercam.
As coisas importantes
Por muitas vezes, só após um bom tempo é que nos damos conta do esquecimento das coisas valorizadas. Deixamos de lado nossos gostos, atividades e talentos porque nos sentimos constantemente cobrados pelo cotidiano.

Em geral, o trabalho ou a necessidade de uma melhor ocupação nos empurra em direção dos cursos especializantes, dos títulos acadêmicos, do aprimoramento pelo esforço intelectual contínuo - porém, desgastante. E uma vez dentro deste ciclo, é muito díficil cogitar em parar: só aceitamos esta idéia sob a condição de estarmos plenamente satisfeitos, ou seja, quando chegarmos aonde queremos. Mas quem disse que sabemos onde fica nosso ponto de chegada?

Após passar anos preocupado com minha recolocação profissional, em alimentar necessidades que o mundo nos impõe e estudar exaustivamente, decidi que chegou a hora de interromper este ciclo. Não digo em parar definitivamente de me aprimorar, mas por ora, penso que é preciso fazer justiça com outras facetas de minha personalidade que ignorei por muito tempo.

Há muitos outros projetos que pretendo realizar nesta vida, novas idéias e afinidades que surgiram de repente - as quais eu acredito não terem aparecido ao acaso. Quero dedicar-me agora aos meus talentos ignorados nos últimos anos, cujo abandono é grande fonte de arrependimento: desenho artístico, fotografia, artesanato, música e escrita. Não, não se trata de uma mera promessa, já comecei a pô-las em prática.

No que diz respeito a escrita, sempre que possível, tentarei trazer relatos sobre estas novas andanças. Acredito que ao dedicar-me a atividades que trazem resultados mais próximos e visíveis, eu encontre mais gosto em partilhar desta experiência com os leitores e talvez (por que não?) novas fontes de inspiração para meus textos.

Para finalizar, segue um texto muito atual para reflexão, publicado na coluna do C@T.
Manias
Há sempre quem tenha (ou acabe desenvolvendo por hábito) algum tipo de ritual em sua vida do qual não consegue se desvencilhar. Costuma-se denominar isso de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) mas eu prefiro chamar simplesmente de mania.

Alguns não conseguem se sentir tranquilos se não trancarem e destrancarem as portas de casa repetidas vezes antes de ir dormir, outros não se sentem seguros de si se não clicarem em "salvar arquivo" cinco vezes seguidas antes de fecharem um documento no computador. Eu, por exemplo, só com muito esforço consigo ir dormir sem verificar se todos os acendedores de gás do fogão estão desligados.

Até aí não haveria nada de tão alarmante, se não fosse pelo fato de demorar de 10 a 15 minutos para me certificar de que não há vazamento de gás. Começo sempre observando o primeiro de cinco acendedores (da esquerda para a direita) se ele encontra-se na posição com a “bolinha” para cima (espécie de seta indicadora de intensidade da chama onde a posição vertical para cima equivale a desligado) e avanço para os demais acendedores a medida que me certifico que os anteriores estão devidamente desligados.

Um procedimento tão simples como esses não levaria sequer um minuto para ser realizado. Entretanto, por algum motivo que não sei explicar, não consigo parar de voltar sempre ao primeiro acendedor. Ainda que eu não tenha fechado uma seqüência, sempre sinto uma necessidade irresistível de voltar para o primeiro acendedor e começar tudo outra vez. Mesmo que eu tente ignorar a vontade de interromper e recomeçar o procedimento, continuo sentindo a mesma inquietação como se não tivesse verificado coisa alguma. Normalmente, só consigo terminar o procedimento quando me dou de conta do quão ridícula e patética a situação me parece ou quando me lembro de outros fatores que facilitam meu julgamento (ausência de cheiro ou barulho de gás vazando).

Algoritmo ideal para verificar se o gás não está vazando:
FAZER N VARIAR DE 1 ATÉ 5 COM PASSO 1
    VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR N (LIGADO/DESLIGADO)
    SE STATUS DO ACENDEDOR N ESTÁ LIGADO ENTÃO
        DESLIGAR ACENDEDOR N
    FIM - SE
FIM - FAZER

Resultado esperado:
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 1: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 2: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 3: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 4: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 5: [DESLIGADO]

O que acontece na prática:
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 1: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 2: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 3: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 4: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 1: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 2: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 1: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 2: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 3: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 1: [DESLIGADO]
VERIFICAR STATUS DO ACENDEDOR 1: [DESLIGADO]
...

Comecei a cogitar várias explicações. A primeira delas é de estar enlouquecendo, mas dificilmente um louco admitiria tal hipótese. Imaginei que talvez meus circuitos neurais responsáveis pela aplicação do algoritmo acima tenham sido de alguma forma afetados por um estado emocional perturbador mas isto não passa de especulação pretensiosa de um leigo. Meu último palpite é de que, seja qual for o mecanismo responsável por tal conduta inesperada, muito provavelmente isso está relacionado com minha insegurança, contra a qual luto desde tenra idade.

A insegurança sempre foi o meu maior inimigo. É graças a ela que sofro de ansiedade, embaraços e crises de timidez diante de situações imprevistas ou desagradáveis. Já acreditei ter vencido a insegurança em outras épocas de minha vida onde o exercício de certas atividades sociais (apresentações de trabalhos universitários e participações em cursos com abordagem psicológica inovadora) tenham funcionado como terapia, mas o advento inesperado de situações hostis externas dispararam novamente as velhas reações que me causavam constrangimento e frustração. Diante disso, nunca me enganei achando que um dia iria vencer a timidez. Mas só o fato de continuar de pé lutando incessantemente contra suas causas já me faz vitorioso.

N7 @ 00:15 | 19/05/2008 | http://alienado.web-log.nl
“Ih, legal, voltou a postar! Não posso falar como um profissional da área, então entenda o que vou colocar aqui como "especulação pretensiosa de um leigo: :) Ninguém que seja "não-louco" pode ser considerado 100% normal, por causa de toda aquela conversa (já mais que batida) de que todos são diferentes, etc. Da mesma forma, hoje em dia acho que o conceito de "louco" como havia a poucas décadas atrás não deveria ainda estar em uso, como um cara que é totalmente disfuncional. Mesmo nos piores casos, ainda tem jeito de fazer um sujeito levar uma vida "ajustada" com a sociedade - mesmo que depois muito trabalho (terapias) e com ajuda de alguns remedinhos... Mas bem, no caso de um TOC ou mania, o que costumo dizer por aí tem um pouco a ver com a visão acima. Ou seja, enquanto todos conseguem levar bem suas vidas, a mania, mesmo que tenha causas biológicas como neurônios que "entram em curto", substâncias faltando ou em excesso no cérebro, etc, não deveria ser considerada um problema e sim o "jeito de ser" dessa pessoa. Se essa pessoa achar que vale a pena o esforço de mudar isso, aí é uma escolha dela procurar ajuda via terapia ou medicação. Porém só acho que compensa se preocupar com isso nos casos em que alguma característica do comportamento está atrapalhando a vida de alguma forma, como por exemplo perder toda a noite de sono verificando se o gás está fechado. Abs”

Débbby @ 16:43 | 03/06/2008 | http://www.casadebbby.blogger.com.br
“É incrível como a gente acha tanta gente por aí com problemas parecidos... É só puxar o assunto em rodas de conversa que a gente vê que existem tantas pessoas com alguma coisa que fazem repetidas vezes e se incomodam com isso... Acho que essa vida moderna e estressante não está nos fazendo muito bem não... :P Beijinhos!”

Rod Ran @ 04:23 | 27/06/2008
“Obrigado pelas visitas, amigos! Fico feliz em ler seus comentários! :)”

N7 @ 04:29 | 29/06/2008 | http://alienado.web-log.nl
“Obrigado vc por compartilhar suas ideias/pensamentos! Obrigado tmb pelas visitas e pelos comentários, Rod!”

A Realidade de cada um
Pelo menos uma vez na vida, cada um de nós já se sentiu compelido a indagar sobre os enigmas que rondam a existência humana. De onde viemos? O que somos? Por que existimos? Para onde vamos? São questões perguntadas por gerações de indivíduos nas mais diversas culturas, que engendraram múltiplas visões religiosas, filosóficas e científicas sobre o tema.

Dessas questões, muitas outras podem ser derivadas mas para fins de simplificação desta pequena exposição de conjecturas, elas podem ser reduzidas a uma única questão primordial: o que é a verdade? A verdade é o que entendemos como aquilo que é real. Se alguma coisa é real, ela deve ser a mesma em qualquer lugar e em qualquer tempo, portanto, a verdade supõe-se única. Entende-se como verdadeiro tudo aquilo que independe de nossas convicções e pode ser observado da mesma forma por todos os indivíduos. A busca por essa verdade suscitou a humanidade a tentar desvendá-la por distintas fontes, seja pela fonte inspiracional por meio das religiões; seja pela fonte investigativa por meio das ciências; seja pela fonte dedutiva por meio das doutrinas filosóficas. Em todas elas, predomina a concepção de que a verdade, em um nível muito profundo, é absoluta, embora nos pareça impossível conhecê-la em sua essência.

Tal impossibilidade se explica pelas limitações que permeiam toda experiência humana. Tudo o que conhecemos é fruto de nossas observações e do nosso pensar. A realidade que conhecemos está circunscrita aos nossos sentidos. Nossa visão do cosmo nem sempre é precisa e constantemente necessita ser revisada, pois nossa humanidade é limitada por sua capacidade cognitiva, e o universo, cuja existência independe da nossa, não tem obrigação de estar ao alcance de nossa intelectualidade nas tentativas de explicá-lo por completo. Assim, compreende-se que por trás de uma verdade única que rege a existência do cosmo, podemos apenas vislumbrar projeções muito turvas dela, porém muito úteis, as quais conhecemos como verdades relativas.

Uma vez estava discutindo com um amigo meu o que será que aconteceria conosco depois da morte. Ele me contou que achava que cada um iria para onde acreditaria que fosse. Achei, então, a proposição absurda, pois imaginei que independente da visão religiosa ou filosófica que o indivíduo mantivesse, só deveria existir uma única verdade que se aplicasse a todos (no caso, é claro, a minha), principalmente porque diversas visões são conflitantes. Hoje percebo que meu amigo estava sendo muito mais coerente.

Quando se está profundamente intrigado com questões sobre o que pode ser absolutamente verdadeiro ou não, sobre o que realmente existe ou não, pode nos parecer superficial e ilusório o conceito de verdade relativa. Mas não é. Por mais que queiramos sustentar uma posição como sendo unicamente autêntica, ela no máximo poderá ser válida dentro do nosso contexto. Podemos até afirmar qualquer coisa que possa ser comprovada por muitas pessoas, porém, mais cedo ou mais tarde ela será substituída por outra idéia melhor. Trata-se da surpreendente constatação de que por trás de nossa objetividade, se esconde uma subjetividade tentando ser muito bem comportada na busca pelo saber. O relativismo (conformado a um conjunto de princípios éticos, é claro) é o que predomina em nossas relações humanas e deverá ser sempre assim. Em todos os campos do conhecimento, nada escapa a este relativismo, nem mesmo a ciência, pois os próprios paradigmas que a constituem (isto é, a forma de se fazer ciência, não o conhecimento obtido com ela) são frutos de intensas revisões que nem sempre se acumularam perfeitamente ao longo da história, o que não deveria se esperar, quanto a sua metodologia, de uma forma de adquirir conhecimento tida como a mais precisa. Por mais bem-sucedidos e válidos que sejam os atuais paradigmas científicos, daqui a cem ou mil anos eles já terão se tornado incompletos e obsoletos, a menos que a humanidade não tenha progredido mais.

Logo, no que diz respeito às questões mais profundas da existência humana, nenhum de nós pode pretender ser porta-voz de um saber absoluto. Ninguém jamais conseguiu responder de forma satisfatória a essas perguntas e certamente a resposta não pode ser tão simples nem mesmo pode estar dentro de nossa compreensão. No entanto, o fato mais importante é que o grau de certeza que se pode ter sobre estas respostas é irrelevante para a vida de qualquer indíviduo. Quando o objeto de nossas indagações escapa a todas as nossas percepções que permitiriam um parecer conclusivo, em última instância recorremos a nossas crenças (sejam na afirmação ou na negação disso ou daquilo). E são justamente nossas crenças individuais que moldam a maneira como encaramos nossa existência, a forma com que percebemos nossa realidade. Não importa o quão diferente, intrigante e estranho possa ser a realidade vista de um plano superior e absoluto, elas não nos preocupam pois estamos condicionados a nossas verdades relativas, as quais são suficientes. E não importa o quanto tentemos ser cuidadosos em nossas observações e julgamentos, jamais encontraremos a confirmação total e unânime para nossas convicções, uma vez que todas as nossas descobertas pessoais serão válidas apenas para nós mesmos e talvez para aqueles que partilham de nossas opiniões, durante o tempo em que vivermos.

Esta postura implica numa necessidade de deslocarmos nossa atenção para o que realmente importa em nossas vidas: um propósito. De que serve desdobrar-se em vãs tentativas de sondar o indesvendável, qual o objetivo de pretender responder de forma última às questões mais fundamentais de nossa existência se nossas próprias idéias relativistas podem ser suficientes para resolver nossos problemas? É evidente que ninguém deve jamais deixar de pensar, refletir e questionar, mas não há nada de errado em buscar um conhecimento válido em nossas vidas que se apresente na forma com que mais nos identificamos. Nesse sentido, o cosmo é profundamente generoso, porque não nos impõe uma única visão de mundo para interpretá-lo. Pelo contrário, ele permite que cada consciência humana busque livremente dentro de si mesma a sua forma individual de percebê-lo. Trata-se da verdade relativa de cada um, da realidade de cada um, pois o que realmente tem o potencial de influenciar nossas vidas é o que acreditamos ser real.

Do ponto de vista humano, o meu amigo compreendeu muito mais a natureza da pergunta.

N7 @ 04:40 | 04/10/2007 | http://alienado.web-log.nl
“Olá Rodrigo... já faz algum tempo que não nos falamos, e agora esse post faz um ano... Apesar de estar relendo este texto, é como se estivesse lendo pela primeira vez, pois estou vendo e entendendo de outra forma.
"o que realmente importa em nossas vidas: um propósito."
"Purpose that pulls us, that guides us, that drives us. It is purpose that defines, purpose that binds us."”

N7 @ 04:43 | 04/10/2007 | http://alienado.web-log.nl
“Estranhamente o HaloScan associou o link abaixo àquela URL... em qualquer lugar que eu comento, aparece aquele link mesmo quando eu edito...”